Walking Tour gratuito em Lisboa

Estar em um lugar com tanto a explorar, com a missão de não gastar dinheiro quase nenhum pode ser um belo desafio. Já estava sem criatividade do que fazer de econômico por Lisboa quando o marido me deu a ideia de ver se não havia nenhum Free Walking Tour por aqui, tipo de passeio que existe em várias cidades. E não é que tinha?

A pegada é a seguinte: você faz o tour sem pagar nada e no fim contribui com a quantia que quiser e puder, entregando diretamente ao guia.

Eu até achei mais de uma empresa que faz esse tipo de passeio por aqui, mas resolvi seguir logo a primeira que vi: a Sandeman. Eu bookei o passeio pelo app Get Your Guide e saí correndo pois resolvi ir cerca de 13h já no tour das 14h. Como o ponto de encontro era no Largo de Camões, perto da estação Baixa-Chiado, desci do metrô, passei no Mac para pegar um lanche para viagem e já fui encontrar o pessoal que fica com camisetas e guarda-chuvas vermelhos. No fim, nem me pediram o voucher do app, simplesmente anotaram meu nome e perguntaram qual língua eu faria, espanhol e inglês. Escolhi em inglês e sentei por perto para engolir meu lanche enquanto o passeio não começava.

Nossa guia Tereza era uma jovem bem legal, que dava ótimas explicações e, enquanto íamos de um ponto a outro do tour sempre puxava papo com os diferentes turistas que a acompanhavam.

Elevador Santa Justa em Lisboa
Elevador Santa Justa
Rua de Lisboa
Rua de Lisboa

O primeiro local que paramos foi em dos diversos mirantes de Lisboa: o mirador São Pedro de Alcântara. Não era dos mais altos, mas foi legal já ter uma nova visão da cidade. Tiramos algumas fotos e dali seguimos entre as ruazinhas da cidade, parando em algumas praças e escadarias para algumas explicações sobre a era dos descobrimentos, sobre o passado da cidade e também sobre o enorme impacto que o terremoto de 1755 teve não apenas na arquitetura da cidade, que ficou 80% destruída e teve que ser reerguida de forma muito rápida e estratégica, mas também na maneira de pensar dos lisboetas. Acontece que esse terremoto gigantesco (estima-se que ele tenha tido uma magnitude de 8,5 pontos na escala Richter, que vai até 9!) fez o então povo extremamente cristão começar a se questionar porque algo tão ruim aconteceu com pessoas tão crentes e religiosas. A isso soma-se a chegada da era da iliminação na Europa, o que jogou ainda mais lenha na fogueira e ajudou a mudar de forma profunda o pensamento dos habitantes da cidade. No final das contas, apesar de ser uma cidade muito antiga, quase tudo que se vê hoje foi erguido após o terremoto.

Mirador São Pedro de Alcântara em Lisboa
Mirador São Pedro de Alcântara. E caso esteja se perguntando sobre esse grupo de amarelo: são calouros da faculdade passando pelo trote.

Tereza nos explicou também sobre a inspiração moura dos famosos azulejos nos prédios, nos contou um pouco mais sobre personagens icônicos como Dom Nuno, um estrategista do exército que levou Portugal a uma vitória história contra a Espanha quando os lusos eram minoria absoluta e sobre o Rei Sebastian que sumiu durante uma batalha e desde então virou uma figura mística – que muitos portugueses ainda acreditam que um dia retornará para salvar o país.

Além de pararmos na frente do convento do Carmo (que ainda possui a fachada original pré-terremoto), descobrimos uma passagem gratuita para a mesma vista que se consegue ao subir no elevador Santa Justa, que custaria 5,50 Euros, e entramos na Igreja de São Domingos, que sofreu um incêndio e foi reconstruída mantendo as marcas do fogo pelas paredes.

Fachada do Convento do Carmo em Lisboa
Convento do Carmo
Interior da Igreja de São Domingos em Lisboa
Igreja de São Domingos

O passeio termina na Praça do Comércio, onde ficamos sabendo como o regime ditatorial do Estado Novo, que durou mais de 40 anos – um dos mais longos do mundo – acabou de forma praticamente pacífica e rápida através de um golpe limitar, no evento conhecido como Revolução dos Cravos.

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Praça do Comércio, Lisboa.

O passeio conta ainda com uma parada para descanso em um bar na Rua Augusta, onde é possível reservar outros tours, que são pagos, como um passeio por Alfama, um tour de tapas (petiscos), ida a Belém ou um Pub Crawl. Eu fiquei bem interessa nesse Pub Crawl e no tour de tapas, e pretendo fazer em breve.

No final das contas o tour durou cerca de três horas e sim, caminhamos bastante. Como eu estava de tênis não fiquei tão acabada, então, fica a dica para ir bem confortável caso algum dia decida fazer um Walking Tour.

Eu deixei 5 Euros no final do passeio, assim como mais umas duas brasileiras. Vi outros turistas – todos europeus – deixando 10 euros. Mas, de novo, vai da sua possibilidade e do quanto gostou do passeio.

Posso dizer que foi uma tarde maravilhosa, cheia de informação e que me fez enxergar Lisboa com novos olhos, cada vez mais apaixonados, por sinal.

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