MetroCard e locomoção em Nova York

A cada novo destino bate aquela dúvida: qual é o melhor jeito de se locomover? E por melhor, não digo apenas o mais cômodo ou o mais barato ou o mais rápido, mas sim aquele que une esses três conceitos da melhor maneira. Com apenas seis dias para explorar uma cidade com tantas coisas para serem vistas como Nova York, nós não podíamos pensar apenas na grana, pois precisávamos transitar rápido para conseguir fazer tudo que estava no roteiro. Por outro lado, com o dólar acima de R$4,00 não dava para se dar ao luxo de gastar metade do orçamento em transporte. Bom, aí entra a beleza de Nova York. Apesar de super populosa, ô cidade fácil de se locomover. Enquanto a numeração das ruas e a planitude da ilha ajuda demais os caminhantes, o metrô, mesmo velhinho e batido, é rápido e bem distribuído e ajuda a economizar muito tempo nas distâncias mais longas. Na hora do aperto, um táxi aqui e outro ali é uma boa opção, especialmente fora dos horários de pico. Vou falar um pouco sobre cada transporte que utilizei na viagem, começando pela ida do aeroporto até o hostel.

INDO DO JFK AO UPPER WEST SIDE

Nós chegamos ao aeroporto John F. Kennedy bem cedinho de manhã e já havíamos decidido ir de metrô até o hostel. É um pouco demorado, mas é razoavelmente simples e o melhor: em conta. Depois de retirar as malas procuramos a estação do AirTrain, que é um transporte do próprio aeroporto (que é gigantesco) entre os terminais e que vai até o metrô e funciona 24 horas por dia. Para irmos do aeroporto até o Upper West Side pegamos o Train rumo à Jamaica Station, mas descemos antes, na Federal Central. Lá, trocamos por um trem rumo a Howard Beach, onde acessamos a linha A do metrô. Íamos continuar nessa linha e andar três quadras a mais, mas chegando perto decidimos fazer a baldeação na Estação Columbus Circle para a linha 1, que tinha uma estação a menos de duas quadras do hostel. Como pegamos o metrô no começo, fomos sentados, e mesmo a medida que o metrô foi enchendo foi tranquilo. Mas, pode acontecer de estar bem lotado e as malas dificultarem a locomoção. Esteja preparado.

Nós tivemos a sorte de pegar um metrô expresso que, por não parar em uma série de estações, vai mais rápido e demoramos ao todo 1h10 para ir do aeroporto ao hostel.

A passagem do AirTrain + apenas a entrada simples do metrô é paga na estação final do Train e custou $16,00.

É importante lembrar para quem chega cedo, que a imigração no JFK só abre às 6h. Nós, que chegamos uns minutos antes disso, tivemos que ficar lá esperando na fila, então não compensa pegar um voo que chega às 4h por exemplo, achando que vai chegar antes no hotel, pois você terá que esperar até às 6h para passar pela imigração de qualquer forma.

METROCARD

Assim que chegamos na estação de metrô, como só tinhamos acesso a uma entrada (que foi paga junto com o AirTrain), já compramos um MetroCard. O MetroCard é um cartão que te dá acesso ao metrô e às linhas locais de ônibus e que pode ser pré-pago (ou seja, você tem que ficar carregando ele quando os créditos que você colocou acabam) ou pode ser um ilimitado durante 7 ou 30 dias. Escolhemos o MetroCard Ilimitado de 7 dias, pois assim não precisaríamos parar no guichê do metrô mais nenhuma vez durante a viagem, já que ele iria expirar exatamente no dia da nossa partida. Perfeito. A questão é que ele custa $31,00, o que, na conversão, não sai barato. Mas, como usamos MUITO metrô, ele compensou completamente. Fizemos uma média de 4 viagens de metrô por dia. Sem o MetroCard cada viagem custaria $2,75 dólares o que sairia nos 6 dias uma média de $66,00. Ou seja, mais que o dobro. Isso porque nem usamos nenhum ônibus! Fora a praticidade de estar sempre com sua passagem comparada na mão. Você passa ele na catraca como se fosse um cartão de crédito com tarja magnética e pronto. Se você pretende usar bastante o metrô, vá sem medo no MetroCard com aquele cuidado básico para não perdê-lo!

metrocard new york

METRÔ

Muita gente fala que o metrô de Nova York é uma loucura, difícil de entender. Às vezes é mesmo, mas na maioria dos casos basta um pouco de atenção. Isso porque em uma mesma estação passam trens de linhas diferentes e, além disso, existem os trens expressos que não passam por todas as linhas. Então, vamos por partes.

A primeira dica é: veja para qual direção você está indo. Se está indo para o norte da ilha, está indo para Uptown. Se está indo para o sul, então é Downtown. Chegando na estação, verifique qual lado vai para Uptown e qual vai para Downtown (mas também veja essa informação no trem quando chegar, pois às vezes eles trocam o trem de lado). Em seguida veja se a estação onde você quer descer é expressa ou não (no mapa do metrô as estações expressas são as marcadas com bolinhas brancas). Quando o trem chegar na estação verifique se ele é da linha que você quer pegar (normalmente tem um visor na frente e na lateral dele mostrando e tem uma pessoa no alto falante dando essa informação) e se é ou não expresso. Antes do trem chegar já fique na cabeça com a lista de trens que te levam para onde você quer ir. Ex. Linha A, Uptown, não expresso.

Para nós foi extra tranquilo pois o Bruno já conhecia Nova York e tava com as manhas do metrô. De qualquer forma, se não conseguir se achar com essas dicas, pare e peça informação para alguém próximo sem medo. O único porém que passamos no metrô foi o dia que fomos para o Brooklyn em que eles simplesmente trocaram a linha em que estávamos – com a gente dentro – e não passaram na estação que queríamos. Eles avisaram pelo alto falante, mas é meio impossível entender o maquinista, que fala rápido e cheio de barulho em volta. No fim chegamos no Brooklyn anyway, apenas umas quadras para cima, então deu certo também, mas achamos meio bizarro o trem simplesmente trocar de linha ali no ato, rs. Coisas de Nova York.

Por fim, como já comentei nesse post aqui, se puder, fique hospedado próximo a uma estação expressa pois isso pode economizar um belo tempo. Inclusive é comum você estar em um trem não expresso e ele parar de frente para um expresso que está indo para o mesmo lugar e um monte de gente sair correndo para trocar de um para o outro.

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A PÉ

Sim, os rumores são verdadeiros: em Nova York se anda MUITO. Isso porque é fácil, gostoso e vale a pena pois muitas coisas estão a poucos quadras de distância umas das outras. O legal é que como a maior parte das ruas são numeradas, é fácil saber para onde se deve ir. Se estou na 42 e quero ir para a 50, basta caminhar sentido Uptown.

Já caso esteja indo no sentido West/East (ou o contrário) tenho uma dica básica que juro que não li em lugar nenhum e só descobri lá, na raça. Quando vir um endereço verifique se nele está dizendo W ou E. O número das ruas se iniciam a partir da 5th Avenue, aumentando para o Leste e para o Oeste. Exemplo: se você precisa ir ao número 119 West da rua 56, significa que esse lugar está do lado esquerdo da 5th Avenue para quem está virado no sentido UpTown.

direções de nova york
Explicação visual meio tosquinha mas de coração. <3

Descobrimos isso quando não achávamos o número 119 da 56, pois estávamos em East e não em West. ;)

TÁXI

Como Nova York tem um trânsito insano, o ideal é fugir o máximo que der dessa opção. A única vez que pegamos táxi na viagem toda foi de madrugada quando estávamos com um amigo local e fomos do Eataly até um pub próximo à Times Square. Foi uma volta curta que deu uns $8,00 pelo que me lembro e nós deixamos uma nota de $10,00 pois lá é comum deixar de 15 a 20% do valor da corrida a mais para o taxista.

BARCO

Não é bem um meio de locomoção, a não ser que estejamos nos referindo ao ferry que leva as pessoas até Long Island, que eu não tomei mas, durante a viagem é possível navergar até a Estátua da Liberdade e a Elis Island e também em volta da ilha de Manhattan. Vou falar desses passeios quando chegar nas atrações. ;)

INDO DO UPPER WEST SITE PARA NEWARK

Sim, chegamos por um aeroporto e fomos embora por outro e dessa vez tivemos que enfrentar o temido e imprevisível trânsito de Nova York. O plano inicial era pegar o metrô da linha 1 (vermelha) até a estação Columbus Circle e lá baldear para a linha A (azul) onde desceríamos na estação 42-Port Authority que possui um terminal de ônibus e de onde sai um bus até Newark. Mas, como estávamos no horário de pico, o metrô estava insanamente lotado (alô, Sé!) e foi quase impossível entrar nele com as malas. Conseguimos, mas foi meio caótico e por isso decidimos abortar a troca de linhas e ir a pé de Columbus Circle até Port Authority, que era perto. Chegando lá, nos informamos e descobrimos que o ônibus não sai do terminal, mas sim de uma rua lateral à estação. Chegando no ponto vimos um bus saindo, o que deu um desânimo, mas ficamos calmos pois estava escrito que sai ônibus a cada 15 minuitos. MENTIRA. O tempo começou a passar e nós começamos a suar, mesmo com a temperatura a 3ºC, pois lemos que esse percurso normalmente é feito em 40 minutos, o que seria ok, mas, se acontece algo na estrada, ele pode chegar a até duas horas o que nos faria perder o voo. Quando o ônibus chegou, quase 40 minutos depois daquele que perdemos por segundos, foi torcer para não ter trânsito. Thanks God deu tudo certo e fomos sem imprevistos. Chegamos sãos, salvos e super no horário, mas hoje com a experiência eu sairia bem antes para não correr o risco.

"Liar, liar, pants on fire"
“Liar, liar, pants on fire”

Esse ônibus é pago após o embarque e custa $16 só a ida e $24 a ida e volta (desnecessário caso você esteja infelizmente se despedindo da cidade) e funciona das 4h45 até 1h45. Moral da história: vale a pena, mas saia com antecedência para não sofrer.

CONCLUSÃO

Se você ainda não foi para Nova York, este post parecerá uma mistura de grego com sânscrito e não fará quase sentido algum. Mas, chegando lá, você vai ver que seguindo essas dicas, não tem muito mistério. Nova York pede para ser explorada e te ajuda nisso com ótimas maneiras de se locomover. Agora, partiu conhecer!

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