Final de semana no Porto

Após turistar um pouco na nossa própria (nova) cidade, Lisboa, decidimos que o Porto seria o destino da nossa primeira viajinha. O saldo não podia ser mais positivo: o local é super bonito e ainda pegamos um belo sábado de sol. Mas, vale a pena passar apenas dois dias no Porto? A resposta é sim! E, claro, não podia deixar de escrever um post sobre as principais coisas que você pode fazer quando visitar a cidade natal de um dos vinhos mais famosos do mundo.

Porto e Rio Douro vistos de Gaia
Porto vista de sua vizinha, Vila Nova de Gaia.
Entardecer no Porto visto de Vila de Gaia
O Porto ao entardecer.

Como ir de Lisboa ao Porto?

Confesso que quando tivemos a ideia de fazer essa viagem, no final de semana anterior à data que decidimos ir, estava até mais barato ir de avião do que de trem. Mas como me estresso um pouco para voar (shame on me), preferi ir de trem. Compramos o bilhete durante a semana na própria Estação Gare do Oriente, de onde o trem sairia, pois ela fica em frente ao trabalho do meu marido. Cada um pagou 55 Euros no bilhete de ida e volta, mas existem dias e horários mais baratos. Além disso, se você comprar com 5 dias ou mais dias de antecedência também encontra valores melhores.

O trem é simples, mas confortável. Quase como se fosse um ônibus de viagem nos trilhos. Lá dentro existe um barzinho para comprar lanches e bebidas, mas não compramos nada então não sei valores.

Outra informação importante é que existem dois tipos de trem que fazem o trajeto: um mais rápido, que demora cerca de 2h30 e outro mais lento que leva cerca de 3h10. Fomos nesse segundo e achei super tranquilo. Saímos sexta à noite e ainda chegamos a tempo de jantar por lá.

O que fazer em dois dias no Porto?

Antes de ir fiz um roteirinho, mas chegando lá decidimos fazer um Walking Tour, no estilo do que já havia feito em Lisboa, e acabamos já passando por vários dos pontos que havíamos programado. Ou seja, com pouco tempo vale muito a pena fazer esse tipo de passeio. Caso não queira andar as 3h30 que esse tour pede, você pode também pegar um daqueles ônibus turísticos nos quais pode descer e subir nas paradas quantas vezes quiser por 24h ou 48 horas. Lá vi pelo menos três empresas que oferecem esse serviço.

Mas indo por conta ou junto com o tour, eis o que achei mais interessante de ser feito nesse curto tempo na cidade do Porto:

  • Torre do Clérigos

Essa torre é, na realidade, a torre do sino da Igreja dos Clérigos. Ela não é especialmente alta, mas por estar em um lugar elevado da cidade acaba oferecendo uma vista panorâmica linda. Para subir paga-se 4 Euros e a dica é chegar assim que abrir, às 9h, para que os outros turistas não atrapalhem sua visão e suas fotos. Nós acabamos inclusive sendo os primeiros do dia a subir. Ah, e prepare as pernocas: para chegar ao topo são mais de 250 degraus.

Torre dos Clérigos no Porto
Torre dos Clérigos, Porto.
Vista do alto da Torre dos Clérigos no Porto
Vista da Torre dos Clérigos
  • Avenida dos Aliados

Para ser honesta, vai ser meio difícil você não passar por aqui já que é nessa avenida que se encontra a praça principal da cidade, onde está a estátua de Dom Pedro IV que no Brasil, por sinal, é o Dom Pedro I. É daqui, inclusive, que saem alguns grupos de Walking Tour. Mas por via das dúvidas não esqueça de parar e olhar em volta pois tem muitas construções bonitas por aqui.

Monumento de Dom Pedro IV na Praça da Liberdade no Porto.
Praça da Liberdade, Avenida dos Aliados.
  • Igreja da Sé

Situada no centro do Porto, essa igreja em estilo gótico-romano começou a ser construída no século XII e é considerada uma das construções mais antigas da cidade e do país. Posteriormente teve seu exterior renovado pelo famoso arquiteto italiano Nicolau Nasoni.

Igreja da Sé, cidade do Porto
Igreja da Sé, O Porto.
  • Estação de São Bento

A ainda completamente funcional estação de comboio (trem) é famosa por ter em seu lobby as paredes cobertas de detalhados e belíssimos azulejos que ilustram diferentes momentos da história do Porto e de Portugal. Aqui foi bem legal estarmos acompanhados do nosso guia do Walking Tour, pois ele nos descreveu o que cada cena representava.

Exterior da Estação de São Bento no Porto
Estação de trem de São Bento, Porto.
Azulejos no interior da Estação São Bento
Azulejos da estação São Bento.
  • Livraria Lello e Irmão

Além de ter sido considerada, em 2008, a terceira livraria mais bonita do mundo pelo jornal The Guardian, a Lello e Irmão supostamente serviu de inspiração à J. K. Rowling, autora da saga Harry Potter, que viveu alguns anos em Portugal. Dizem que as escadarias, especialmente, serviram de referência para a descrição da arquitetura e decoração da escola de magia e bruxaria Hogwarts. Por conta disso, a biblioteca está sempre lotada – e com fila para entrar -, mesmo cobrando 4 Euros por visita, valor que pode ser retomado na forma de desconto nos livros e artigos da loja. Ou seja, se você está esperando tirar maravilhosas fotos da bela livraria vazia, é melhor ficar de vigília para tentar pegar um horário mais calmo.

Escadaria Livraria Lello e Irmão
Tentativa (fail) de tirar uma foto na famosa escadaria da livraria Lello e Irmão.
Detalhes em madeira da escadaria Lello e Irmão
Detalhes da escadaria da livralia Lello e Irmão.
  • Ponte Luís I

Existem seis pontes que ligam Porto à sua vizinha, Vila de Gaia. Mas a Ponte Luís I é, não apenas a mais famosa delas, como também a dona da história mais interessante. Quando decidiram construí-la, abriram um concurso para escolher seu design e arquitetura. Gustave Eiffel, que iria mais tarde ser o criador da Torre Eiffel em Paris, e que já havia feito uma ponte no Porto, chamada Ponte Maria Pia, inscreveu um projeto no concurso. Mas, no fim, quem venceu a disputa foi nada mais, nada menos, que François Gustave Théophile Seyrig, antigo sócio de Eiffel, que apresentou uma ponte com dois “andares”, um por onde hoje passam o metrô e pedestres, e outro por onde passam carros e pedestres. Seja como for, a melhor vista que se pode ter da bela ponte não é do Porto e sim de Vila Nova de Gaia. E pode sim ir andando de uma cidade à outra através dela, já que a caminhada não é tão longa. Mas vá pela parte superior da ponte para ter a melhor visão.

Ponte Luís I, O Porto.
Ponte Luís I, O Porto.
Porto ao entardecer vista da ponte Luis I
Vista da Ponte Luís I.
  • Hard Rock Cafe

Parada obrigatória não é. Barato também não é. Mas eu gosto sempre de aumentar minha listinha de Hard Rock Cafes que conheço pelo mundo. Nesse caso, fomos apenas para drinks, mas acabamos mesmo é pedindo uma sobremesa enorme e deliciosa. Detalhe: o guia do Walking Tour nos disse que o restaurante paga “apenas” 20 mil euros por mês de aluguel. Não à toa o cardápio é caro, né?

  • Baixa da Ribeira

Tipo lugar que tem que passar, fotografar, curtir. É a parte mais próxima do Rio Douro e tem vários restaurantes que, claro, são mais caros.

  • Comer Francesinha

Esse típico prato da cidade é algo como um sanduíche, recheado com vários tipos de carnes e gratinado com um molho picante. Por sugestão do guia fomos em um restaurante bem simples chamado Picota e achamos o prato muito gostoso. Mas, caso queira um lugar mais famoso, dizem que as melhores francesinhas estão no Café Santiago, que não conhecemos.

Francesinha com batatas no Porto
Francesinha, práto típico do Porto.
  • Jardins do Palácio de Cristal

Dizem que é um belo lugar para ver o pôr-do-sol, mas honestamente, consegui uma foto melhor no caminho para a guesthouse onde me hospedei. Mesmo assim é um lugar bem agradável que vale a visita caso tenha tempo.

pôr-do-sol no rio douro vista jardins castelo de cristal
Pôr-do-sol nos jardins do Castelo de Cristal, Porto.
  • Cave de vinho do Porto

Ironicamente não existe nenhuma cave de vinho do Porto na cidade do Porto. Todas elas estão em Vila Nova de Gaia, do outro lado do Rio Douro, que também faz parte da região do Porto, por isso o vinho tem esse nome. A princípio, havia decidido ir na famosa Sandeman, mas todos os locais nos aconselharam a mudar de ideia, alegando que essa era a típica cave “para turista ver”. Ou seja, muito comercial e pouco autêntica. Tentamos então ir à Croft, mas mesmo seguindo o GPS no celular não a encontramos de forma alguma. Acabamos por ir na Ferreira que havia sido indicada por um motorista de Uber e gostamos bastante. Além de ser bem “feminista”, com uma mulher à frente de grande parte da sua história, a visita foi feita por uma guia bem boa. Pegamos o tour mais básico, que dura cerca de meia hora e termina com degustação de um vinho do Porto branco e um tinto. Custou 10 Euros.

degustação de vinho do porto branco e tinto cave ferreira
Degustação de vinho do Porto na cave Ferreira.
  • Bônus: Almoçar na praia de Matosinhos.

Aproveitamos que havíamos conseguido fazer quase tudo do roteiro no sábado e fomos de metrô para Matosinhos, uma parte praiana, banhada pelo oceano, mais ao norte do Porto. Nos disseram que lá era ótimo para comer peixe fresco e barato e de fato, existem muitos restaurantes grelhando peixes recém pescados em churrasqueiras na calçada. Mas, não achamos assim tão barato. Apesar de tudo, fizemos uma refeição bem gostosa no único lugar que conseguimos sentar (esquecemos era Dia do Pai aqui em Portugal, então estava quase tudo cheio ou reservado) que chamava-se Don Zeferino, e achei que valeu a experiência. Gastamos cerca de 45 Euros para duas pessoas.

Churrasqueira na rua em Matosinhos
Restaurante que serve peixe fresco assado na churrasqueira em Matosinhos.
peixe assado em Matosinhos
Robalo assado do restaurante Don Zeferino, em Matosinhos

 

E você, tem mais alguma dica do que fazer na cidade do Porto? Caso tenha, use e abuse dos comentários!

Posts Relacionados

2 comments

  1. Delícia de texto e que maravilha de fotos!!!!!

    Gostei demais, revivi ótimos momentos.

    Forte abraço.

    Viviane

    1. Que bom que gostou, Viviane! :)
      Nós adoramos a cidade.

      Em breve vamos ter pelo menos um post sobre o sul aqui. Conhece já?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *